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Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011

Meditação versus Prozac, por Carlos Amaral

"Será que a prática milenar da meditação pode substituir os anti-depressivos?


Por ignorância, a maioria das mulheres e homens do mundo estão mergulhados no seu próprio sofrimento. Em cada evento diário, que possam os indivíduos considerar desagradável reagem elas ou eles com desarmonia e com grande desagrado, e assim uma boa parte da humanidade que conhecemos gera sofrimento. A este círculo vicioso e condicionado - a Filosofia Budista chama de “Samsara”.

Embora os anos noventa tivessem representado para as ciências médicas um marco no melhor entendimento da mente humana, (…) revelando os segredos de uma fisiologia misteriosa e da química psíquica que animou a safra de novas moléculas destinadas a curar todos os males e transtornos mentais (…). É necessário e urgente afastarem-se as pessoas de pensar que basta apenas tomar uma pílula, seja ela qual for, para que tudo na vida esteja resolvido. Vejamos: prostração, ansiedade, a zanga de namorados, os amuos dos amantes, as crises conjugais, a frustração profissional, os desejos descontrolados, a exaustão das ideias positivas, o cansaço da não-realização, a falta de dinheiro, o desemprego, a crise de fé, o desespero da desocupação, a insatisfação com a realidade, a ruptura com a interioridade, são, efectivamente, aspectos que pouco ou nada têm a ver com aquilo que habitualmente a medicina designa por “depressão”; pelo contrário, tem a ver com a imensa crise de valores, com a desumanidade com que a sociedade trata os seus problemas humanos e morais, com a falta de alma, ou melhor, com o comércio desaustinado e egoísta da alma humana, com estado de espírito dos indivíduos, com a condição geral das nações e do próprio mundo de hoje. (…)

Felizmente (…) este século começa com mais uma reviravolta nos estudos sobre a mente. Pesquisas (…) atestam que os mais modernos anti-depressivos podem, em muitos casos bem estudados e bem conduzidos por profissionais competentes, ser substituídos – ou pelo menos complementados – por uma das mais antigas práticas do mundo oriental: a Meditação. A este respeito, a Dra. Sara Lazar, neurocientista do Massachusetts General Hospital, que é afiliado da Universidade de Harvard, afirma: “Há vários estudos que demonstram que a meditação diária é muito útil no tratamento da depressão, da ansiedade crónica e do stress”. Curiosamente, nos Estados Unidos e Canadá, como em alguns países da Europa, várias são as escolas de medicina que transformaram a meditação em disciplina. Muitos são, também, os hospitais que oferecem espaços e orientação para a prática da meditação, e isso para tranquilizar os pacientes antes das cirurgias, pois, de acordo com as diversas pesquisas, quem pratica diariamente a meditação necessita de doses menores de anestesia, de relaxantes e de calmantes. Nos Institutos Presidiários, também muitos são os instrutores que ensinam a técnica para tentar reduzir os índices de violência. Em Portugal posso bem eu certificar essa realidade, pois desenvolvo desde há seis anos um projecto-piloto numa das principais prisões do país!

(…) são dois os factores que mais explicam esta actual onda da meditação em Portugal e no mundo ocidental. O primeiro factor – é o descontentamento do homem moderno perante uma tremenda rotina de trabalho cada vez mais desgastante e insalubre. Meditar é uma boa oportunidade para dar um tempo, para desligar da rotina, ou, simplesmente, desacelerar a tremenda correria em que o homem citadino e civilizado anda nos dias de hoje. O segundo factor – é o aval que a prática milenar de monges tibetanos tem recebido de técnicos sérios ligados à ciência do mundo ocidental. Por exemplo: o famoso e iminente neurocientista americano, Prof. Dr. Richard Davidson, da Universidade de Wiscosin-Madison, USA, afirma de forma peremptória que a meditação altera positivamente as estruturas cerebrais e muda o padrão das suas ondas, protegendo o seu praticante da depressão, da ansiedade e dos efeitos nefastos do stress.

Assim, em vez do leitor ficar passivamente com o seu “condicionamento”, sentado e quedo, com a sua “relação de longa duração” entre os seus neurónios, ou melhor, com as marcas mentais do seu desassossego, da sua dor moral, (…) por que não experimenta a prática da meditação? Certamente, vai com toda a infalibilidade achar que é muito mais salutar para o seu organismo e, nomeadamente, para a sua bolsa! "

 

In: http://astral.sapo.pt/terapias/desenvolvimento-pessoal/meditacao-versus-prozac-1156473.html


publicado por blog-do-bem-estar às 13:40

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4 comentários:
De mary a 12 de Agosto de 2011 às 13:47
Ora aqui está um excelent alternativa!


De Anónimo a 17 de Agosto de 2011 às 17:53
Muito Bom, Gostei...


De Anónimo a 18 de Agosto de 2011 às 18:23
É só vantagens na Meditação, uma vez que a medicação causa dependência química, e tem efeitos secundários. A prática da Meditação não substituirá medicação (no caso de tratamentos indicados), mas será uma excelente ajuda.
Vitó


De Anónimo a 11 de Setembro de 2012 às 15:39
Meditar é uma óptima ferramenta mental que nasce connosco, só precisa de ser desenvolvida. Enquanto meditamos o nosso cerebro funciona numa frequencia de ondas Theta que produz vários neurotransmissores benéficos para o combate à depressão, stress e ansiedade. Eu costumo meditar quando faço sessões de flutuação, que é um facilitador da meditação, já que a propria experiencia induz a que o cerebro funcione nas ondas theta. sugiro que experimentem por exemplo no Float in em Lisboa (www.float-in.pt). Um abraço, fiquem zen ;)


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